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#Amazônia - Exercício militar: Aeronaves norte-americanas de combate a incêndios sobrevoarão o território nacional

10/10/2017, terça-feira

Foto: Foto: Bruno Kelly/Reuters

Este ano, faltando ainda três meses para encerrar, já é o segundo maior em número de focos de queimadas registradas no Estado do Amazonas

Investimentos em tecnologia de ponta, como as aeronaves C-130, mais conhecidas como gigante Hércules, são fundamentais no combate aos incêndios florestais na Amazônia, segundo avaliação do Exército Brasileiro. Este ano, faltando ainda três meses para encerrar, já é o segundo maior em número de focos de queimadas registradas no Estado do Amazonas, conforme monitoramento realizado desde 1998 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A eficácia das C-130 em ações desse tipo na Amazônia será testada durante o Amazonlog 2017, quando uma dessas aeronaves será "emprestada" pelo Exército dos Estados Unidos da América (EUA) às Forças Armadas do Brasil para o treinamento de militares que atuam em ações de combate às queimadas na região. 

A necessidade de investimento em tecnologia foi destacada, ontem, pelo comandante de logística do Exército, general Guilherme Theophilo, que já foi comandante militar da Amazônia (CMA), durante o Simpósio de Logística Humanitária (Silogem), no Centro de Convenção Vasco Vasquez (CCA), em Manaus, que encerra hoje. O simpósio é um evento preparatório para o exercício militar Amazonlog 2017, que ocorrerá em novembro.

Guilherme Theophilo disse que no combate às queimadas também são fundamentais as parcerias entre órgãos federais, estaduais e municipais nas ações. “Tenho sido muito questionado por conta desse apoio dos Estados Unidos, mas sabemos o quanto os norte-americanos estão preparados com tecnologias para atuar no momento dos desastres naturais. Essa aeronave pode fazer uma grande diferença no combate aos incêndios florestais, por conta disso aceitei esse apoio”, justificou o general, sobre a presença dos militares dos EUA no exercício. 

O general explicou que as c-130 são aeronaves quadrimotor, turbo-hélice, de asa alta e trem retrátil. “Essa é uma aeronave especialista no combate ao incêndio florestal. Todo o procedimento de como nós podemos utilizar essa aeronave nas ações e também como oferecer um planejamento de ajuda humanitária devem ser repassados pelos norte-americanos”, disse. O avião é composto por cinco tanques de água e dois tubos que se projetam pela porta traseira, podendo transportar até 12.000 litros de água.

Pesquisa

Um estudo feito por pesquisadores  da Universidade Federal de Viçosa (UFV) avaliou como ficaria a situação na região dentro de  50 anos levando em consideração o crescente aumento da temperatura, das queimadas e uma seca extrema. A pesquisa prevê que, caso ocorra uma seca na Amazônia entre os anos de 2040 e 2069, como as  registradas em 2005 e em 2010, uma área de cerca de 550 mil quilômetros quadrados, maior que a França, poderá ser impactada por incêndios  intensos. O resultado disso, segundo a pesquisa, é que as emissões de carbono podem aumentar em até 90%.

Ação na tríplice fronteira

O exercício de Logística Multinacional Interagências, o Amazonlog 2017,  ocorrerá  em novembro, em Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A aeronave americana deve vir para o Brasil neste mesmo período quando será realizada as orientações aos militares.

Falta sintonia entre as leis

A criação de leis ambientais mais rígidas e complementares nos países da tríplice fronteira é uma das medidas necessárias para combater práticas cada vez mais comuns na fronteira entre Brasil e Peru: o desmatamento ilegal e a participação de indígenas para a produção de cocaína, não só no lado peruano, mas também no brasileiro. 

O alerta foi feito pelo general Guilherme Theophilo, após o pronunciamento do comandante da 5ª Divisão de Exército do Peru, general Jorge Orlando, durante o segundo dia do simpósio, ontem, no qual explanou sobre as atividades realizadas para apoio a civis afetados pelo narcotráfico e terrorismo no próprio país.

De acordo com Guilherme Theophilo, as discrepâncias entre as legislações ambientais vigentes no Peru e no Brasil facilitam a ação de bandos peruanos que atravessam a fronteira brasileira para derrubar árvores de valor comercial e levar para o país vizinho, onde elas são "esquentadas" (recebem documentos que garantem sua "legalidade" de forma fraudulenta) e, depois, comercializadas.

“(Os bandos peruanos) atravessam o rio Javari, derrubam a nossa floresta, vão em uma serraria do Peru e acabam que legalizam essa madeira. Então, as legislações nas fronteiras têm que estar combinadas para evitar esse tipo de situação”, explicou.

Tráfico explora índios

O militar brasileiro disse que traficantes peruanos assediam indígenas dos dois lados da fronteira para que eles cultivem cocaína entre as plantações de banana, macaxeira e outras culturas, o que dificulta a localização pelas forças policiais.  

“A mão de obra do narcotráfico são os indígenas. No caso do lado do Amazonas, eles realizam uma plantação consociada, onde plantam a bananeira no nível mais alto, depois o abacaxi e por fim, eles plantam a coca. No caso dessa plantação, afirmam que é pra dar menos fome ao caçador, ter mais energia, sem contar que é um costume indígena”, detalhou o general.

Isabelle Valois Manaus (AM) ACrítica


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